Dívida de R$ 30 mil paga com venda de salgados!

É com lágrimas nos olhos que a Maria Nilza dos Santos lembra de um passado não tão distante de dívida, pouco dinheiro e alguns sofrimentos acumulados ao longo dos anos. Baiana, de Nilo Peçanha, cidade distante apenas alguns quilômetros da capital Salvador, Maria decidiu deixar sua terra natal, e seus 13 mil habitantes, para tentar a vida em uma das maiores cidades do Brasil, a capital baiana Salvador.
Mas, junto com a mudança de cidade e de vida, em plenos 18 anos, vieram também muitas dificuldades que logo apareceram ainda nos primeiros dias, realidade dura de grandes metrópoles, como a de Salvador.
Para conseguir sobreviver e vencer as adversidades, Maria Nilza começou a se virar do jeito que podia. “Eu estava desempregada e um pouco perdida com os rumos que a minha vida estava tomando. Foi então que comecei a fazer salgados para vender, que era uma das coisas que eu sabia fazer. Junto com os salgados vendia também confecções, mas com a crise que logo veio eu perdi os clientes. Algumas pessoas que compravam comigo se desempregaram e elas, assim como eu, começaram a vender alguma coisa para sobreviver também, foi um período difícil”, desabafa dona Maria Nilza.
Educação: mais uma dívida ou sua salvação?
Não demorou muito para que a dona Nilza percebesse que a escolha que ela fez de fazer mais uma “dívida” seria na verdade o começo de sua vitória profissional e financeira.
“Comecei a tentar achar uma saída para contornar essa situação e um dia passei na frente de uma escola de cursos profissionalizantes, era o Instituto Mix de Profissões lá de Cajazeiras, eu vi um bolo na escola e aquilo me chamou a atenção. Eu queria me aperfeiçoar na produção de salgados e expandir para outros negócios para aumentar minhas vendas, e quando vi aquele bolo pensei, essa é minha chance de aprender mais e fazer mais coisas”, explica Nilza.
Mesmo com certa desconfiança em relação as questões econômicas, ela tomou a iniciativa e foi até a escola. “Mesmo com a dívida que eu tinha, e que me tirava o sono, decidi ir lá na escola pensando: será que eu devo fazer mais dívida? Será que eu não passar mais dificuldades? Mesmo assim eu fui, pensei comigo: vou passar o cartão, se aceitar o cartão eu faço, se não, não tem como e deixamos assim. Fui até a escola e eles falaram que aceitavam o cartão sim. Eles facilitaram em tudo para que eu fizesse o curso, para que desse certo e deu!”, conta Nilza.
O início da virada!
Voltar para uma sala de aula depois de algum tempo longe dos estudos sempre dá aquele friozinho na barriga, com a dona Nilza não foi diferente, principalmente para ela que tinha tantas coisas na cabeça para se preocupar. Mas, as aulas foram fluindo de tal maneira que ela, até hoje, não parou mais de frequentar a escola e de estudar.
“Comecei a fazer o curso e desde então não parei mais de estudar e me especializar, tanto na minha área de salgados, de confeitaria como também em outras áreas. Comecei recentemente o curso de informática”, enfatiza ela, animada e sorridente com a nova fase.
O fim da dívida de R$ 30 mil
A dona Maria Nilza não só pagou aquela dívida que tanto a perturbou como pagou outras que também estavam acumuladas, tudo graças ao seu esforço, dedicação e a sua escolha de entrar em uma escola profissionalizante para mudar a sua vida.
“Eu tinha aquela dívida de 30 mil reais e consegui pagar essa conta com as minhas vendas de salgados. Tinham outras dívidas também que eu consegui, graças a Deus, pagar todas elas. Hoje eu me sustento com a venda dos salgados e até inovo com receitas próprias. Uma dessas invenções foram os sanduíches naturais, com cenoura, frango, e outros itens fitness, no começo fiquei receosa de buscar outras receitas, mudar um pouco aquilo que eu já fazia, mas o conhecimento que eu aprendi no curso ajudou muito para que eu conseguisse inovar, não ter medo de mudar, porque é mudando que a gente cresce, evolui”, afirma Maria Nilza.
Clientes fixos e uma nova vida em Salvador
Sua saída de Nilo Peçanha não foi fácil, chegar em uma metrópole com tantos desafios a vencer também não foi uma escolha fácil, mas se há uma lição que a dona Maria Nilza no ensina é perseverança!
“Hoje estou aqui, venci! Me considero uma pessoa que apesar de todas as dificuldades venceu, graças a ajuda de outras pessoas maravilhosas que sempre ficaram do meu lado, e o mais importante disso tudo foi que eu nunca desisti, por mais que eu tenha mil motivos para desistir, não desanimei, fui em frente e no final vendo tudo que aconteceu, vejo que tanto esforço valeu a pena!”, finaliza.