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De catador de latinhas a um dos mais importantes empresários do Brasil

A história de vida e a trajetória profissional de um dos empresários e palestrantes mais bem sucedidos do Brasil, nos surpreende pela sua capacidade de superação, a leveza com que se comunica com as outras pessoas e pelo sentimento constante que o envolve: gratidão!

Geraldo Rufino, 63 anos, é proprietário da JR Diesel, a maior empresa de reciclagem de peças de caminhões da América Latina. Mas até chegar ao topo, Rufino passou por muitos desafios que o colocaram à prova diversas vezes. Nasceu em Campos Altos, no estado de Minas Gerais, mas cresceu na Favela do Sapé, em São Paulo.

A infância passou quase despercebida, tendo trabalhado desde muito jovem para ajudar a família, indo de ensacador de carvão a catador de latinhas. Rufino, em sua trajetória, sempre foi enfático sobre a importância da sua mãe na construção de seus valores.

“A minha relação foi a melhor possível com ela, uma mãe fantástica, uma coach, uma mentora! Eu sou o mais novo de oito irmãos, então eu era até um pouco mimado (risos). A relação era a melhor possível na época, e continua sendo”, lembra Rufino.

Mas aos sete anos tudo mudou quando Rufino perdeu sua mãe, ele e os irmãos tiveram que redobrar os esforços para ajudar uns aos outros mas, em seu coração, os ensinamentos de sua mãe sempre falaram mais alto: “gratidão, perseverança, você pode!”

“Olha, muito cedo eu aprendi que todos nós buscamos alguma forma de poder. E eu aprendi muito cedo com minha mãe que o poder, é quando você procura usar toda a energia, positividade, espiritualidade que você tem, para servir o próximo, servir o outro, fazer alguma coisa que venha a somar na vida das pessoas. Então eu arrumei um trabalho aos oito anos de idade para poder assumir este poder. Que é quando eu entendi que eu poderia usar este poder para fortalecer a minha família. Essa é a fase em que eu entendi que eu poderia fazer a diferença”, conta Rufino.

De ensacador de carvão a catador de latinhas

Geraldo Rufino – Foto: Bruno Fernandes


Trabalhar, prover e ajudar está no DNA de Geraldo Rufino. Um dos primeiros trabalhos foi como ensacador de carvão, depois que sua mãe faleceu ele e seus irmãos partiram para um lixão onde começaram a catar latinhas e utensílios.

A fase de infância não teve uma virada de chave, foi só uma continuação de portas a serem empurradas. Eu continuei abrindo as portas e abrindo caminhos para fazer o que eu já havia começado com oito anos de idade, procurar ser algo maior, vencer. Então eu não senti muita diferença entre ser criança para quando eu me tornei adolescente”, conta Rufino.

O empresário destaca que foi catando latinhas que ele sentiu pela primeira vez que tinha um “negócio”. Trabalhava para ele mesmo e ganhava dinheiro com o seu próprio trabalho.

Quedas e os aprendizados


Trabalhando de forma informal, era esperado que a família não tivesse uma conta em um banco. Geralmente eles guardavam o dinheiro em latas ou vasilhas e as escondiam enterradas. Uma vez, chegaram a perder todas as economias. Mas para Geraldo Rufino, esses momentos nunca foram motivo para desistir e “jogar a toalha”.

Eu não acredito em tombos, eu acredito em aprendizado! Então houveram sim muitos aprendizados. E todos eles me serviram como degraus, cada vez que tinha algum tipo de problema eu rapidamente entendia que eu teria que fazer aquilo melhor e isso me fortalecia muito, em saber que eu conseguia aprender e fazer melhor do que havia feito antes”, revela o empresário.

Após várias alternativas para ganhar dinheiro, indo do “cinema em casa”, em que os irmãos cobravam ingresso para que outros jovens pudessem assistir os filmes na TV da família, até excursões de Kombi, eles estavam tecnicamente estáveis quanto aos negócios e, por consequência, estavam bem quanto aos recursos até então.

Rufino chegou a trabalhar por 30 anos em um parque de diversões, chegando a um dos mais altos cargos na empresa, mas nunca deixou de empreender com os irmãos, sempre esteve apoiando e participando. O que possibilitou a compra de caminhões caçamba para o transporte de todo tipo de material. Até que tudo mudou, de novo!

De um acidente nasce a JR Diesel


Em um dos trabalhos com as caçambas, os irmãos acabaram se envolvendo em um acidente. Os caminhões ficariam totalmente inutilizados.

Eu tenho uma força extraída da gratidão muito grande. Então quando isso aconteceu, o meu primeiro pensamento, e sentimento, ao olhar que todos estavam bem, foi de gratidão. E logo eu já comecei a pensar sobre como começar de novo”, desabafa Rufino.

Naquele momento, apesar do susto, levou poucos minutos para que eles “achassem” um outro jeito de ganhar dinheiro. Eles começaram a desmontar o caminhão, retirando todas as peças do que havia sobrado dos caminhões acidentados.

“Eu sempre pensava na pior das hipóteses, que eu teria que começar do zero e teria que estar preparado para isso, sempre tive isso em mente. Mas, naquele momento, foi diferente! Eu olhei para aqueles caminhões e vi uma oportunidade, não era o zero ainda. Empreender é um risco e isso aprendi muito cedo, então eu sempre contei com ele”, enfatiza Rufino.

Aquele seria o primeiro passo para a fundação do que seria a atual JR Diesel, a maior empresa de reciclagem e revenda de peças semi novas de caminhões da América Latina. Atualmente já são mais de 30 anos de participação no mercado com um faturamento anual de mais de 20 milhões de reais.

A pandemia fortaleceu ainda mais o segmento de veículos usados, o que fez com que a procura por peças de reposição saltasse consideravelmente, esse “boom” logo chegou nas empresas especializadas neste segmento, como a JR Diesel.  

Qual a prioridade da empresa? As pessoas!

Geraldo Rufino – Foto: Bruno Fernandes


O empresário conta que investir em marketing estava fora de cogitação nos primeiros anos da JR Diesel por dois motivos, um deles é que a família não tinha recursos suficientes para investir em propagandas, instrução ou até mesmo preparação para realizar campanhas deste gênero.

O outro motivo foi, segundo Rufino, foi porque ele ainda acreditava na essência que aprendera com sua mãe. A humildade, a proposta de se colocar à disposição para ajudar, fazendo laços que mais tarde fariam dele um mestre na comunicação com as pessoas, com foco no tratamento humanizado, prezando sempre pelo fator humano.

“Sempre investi nas pessoas para atender o meu propósito, que era, também, atender às pessoas. Uma pessoa bem atendida, na minha visão, é o melhor marketing que você pode ter. Essa pessoa satisfeita com o seu trabalho é a que estará mais bem preparada para indicar você e seu negócio para outra pessoa, em um ciclo. Então, durante toda a minha vida, eu apostei no boca a boca, ou seja, eu investi em pessoas”, enfatiza Rufino.
 

Ação para virar o jogo!


De origem humilde, vindo de uma comunidade carente, negro, catador de latinhas, Rufino conta que poderia ter escolhido caminhos errados, que ele mesmo cansou de presenciar tantas vezes nas comunidades, durante a dura realidade da favela. Mas, sempre que podia, recordava dos conselhos de sua mãe, sua mentora.

“A energia divina que bate em um, bate no outro! A semelhança de um e de outro permite que ambos possam desenvolver igualmente um propósito, então eu peço para que você, apesar de tudo e de todos, acredite em você mesmo e que comece a desenhar um propósito. Esqueça de onde veio ou de onde está, sem nunca negar suas raízes, claro, mas mire no que quer alcançar”, reforça o empresário.

Ainda segundo o empresário, existe uma falsa crença em que muitas vezes as pessoas julgam que quem nasceu em bairros e comunidades carentes, não tem chances de entrar ou se dar bem no mercado de trabalho.

“A grande diferença entre eu e outra pessoa da mesma época, do mesmo bairro, da mesma condição social, é o quanto eu acreditei em mim, fortalecido pela base, pela família e nossos valores, quando a minha mãe dizia que eu poderia alcançar os meus objetivos, e assim eu fiz!”, afirma Rufino.  

Para Rufino a burocracia brasileira é um fator que desanima os empreendedores


Neste exato momento milhares de brasileiros estão “travando uma batalha” para conseguir empreender e realizar um sonho. Mas o Estado, que deveria ser um facilitador, afinal ele ganha com novos investimentos, se torna um dos maiores entraves na hora de novos negócios entrarem no mercado.

Para Geraldo Rufino, que passou anos na informalidade, se tornar “formal” hoje no Brasil é uma tarefa que requer perseverança.

“O atual sistema complica a vida de quem quer trabalhar, então eu acho que precisaríamos de mais “portas abertas”, destravar os processos e não tantas travas para o empreendedor dar o primeiro passo. Precisamos incentivar, e incentivo não é dar dinheiro, mas aliviar a burocracia para ajudar os pequenos empreendedores”, reforça Rufino.

Empreendedorismo, valores, felicidade e dinheiro


Geraldo Rufino destaca que para ser empreendedor é indispensável que alguns valores acompanhem a pessoa. Ele destaca que amor, dedicação, foco, determinação, honestidade, devem sempre estar no topo da lista.

Isso vale tanto para quem quer empreender, como para quem almeja ser bem sucedido como colaborador em uma empresa. Se você tiver todos esses valores, trabalhando como se fosse pra você, para o seu negócio ou até mesmo no seu negócio, você vai tirar os melhores resultados possíveis”, conta.  

E o que seria uma pessoa rica e feliz para um dos empresários mais bem sucedidos do Brasil, como é o caso de Rufino? Bem, para isso ele tem uma palavra que pode definir o significado de ganhar muito dinheiro: consequência!

“Quando você tem valores de verdade, bons relacionamentos, convivência verdadeira com as pessoas, respeito pelos que são diferentes e pensam diferente, gratidão, patriotismo, prazer no que faz, prazer em gerar oportunidade, foco na família e se dedica de verdade em um trabalho que gosta e faz por amor, você ganha dinheiro por consequência! Então para mim, ser rico, é o dinheiro que você ganha por causa dos seus valores e nessa direção você consegue atingir a tão almejada felicidade. Aí eu digo: esse cara tá crescendo, ele está ficando rico, diferente de quem só tem dinheiro, e mais nada”, finaliza Rufino. 

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