Barbeiro vence obstáculos e conquista o sucesso

O que mais o Murilo Dantas de 30 anos de idade, morador de São Carlos, interior de São Paulo, escutou quando decidiu ser barbeiro profissional foi: “mais uma barbearia, já têm muitas na cidade” ou “ser barbeiro não dá resultado financeiro”. Se tivesse escutado esses “conselhos”, certamente o Dantas Barbershop não existiria.
Murilo, ainda na casa dos 20 anos de idade, trabalhava muito. Mas cometeu alguns erros ao longo do início da carreira profissional. “Eu fazia muitas mudanças de empresa para outra empresa, conforme o salário fosse maior que o anterior, eu ia mudando de emprego. Mas isso acabou criando um problema mais para frente”, conta Murilo, que se viu desempregado depois de passar por várias empresas.
A verdade é que ele não gostava da sua área de atuação, que era no ramo de refrigeração. Murilo sempre gostou do mundo da barbearia, dos cortes de barba e de cabelo, mas, como vimos, nem sempre haviam os incentivos certos para ele começar uma carreira no segmento.
“Eu sempre gostei da barbearia em si. Sempre gostei de cortar o cabelo, de ir lá e ver como eram feitos os cortes, os produtos que eram usados. Sempre fui apaixonado por esse ramo! Só que eu nunca tive a iniciativa de fazer um curso, de ir atrás. No início meus pais me falaram que não era algo muito rentável. Aí eu parti para outra área, eu era técnico em refrigeração e trabalhava com câmera fria, mexia com ar condicionado e outras coisas”, conta Dantas.
O incentivo para ser barbeiro veio de modo inesperado
Como gostava muito de cortar cabelo, o jovem Murilo Dantas já praticava muito os cortes em amigos e pessoas da família, mas claro que faltava algo mais profissional, como uma especialização na área, um curso de Barbeiro Profissional.
“Um dia fui cortar o meu cabelo em um amigo e, por coincidência, ele me incentivou a fazer um curso para cortar cabelo. Mas como estava desempregado, eu fui conversar com o meu pai, para ver a possibilidade de ele começar a pagar as primeiras parcelas até eu conseguir o suficiente para dar continuidade no pagamento”, explica Murilo.
Nesse meio tempo a esposa dele engravidou, e a esse fato ele considera o início da mudança na carreira profissional! Ele, desempregado, seria pai de família. “Eu então, sem ter uma renda fixa, comecei de fato a profissão de barbeiro profissional para ganhar algum dinheiro”, lembra o barbeiro.
Trabalho dobrado para realizar um sonho

Estudando no curso de Barbearia Profissional do Instituto Mix de Profissões, Murilo Dantas intercalava o trabalho em uma empresa para cobrir as despesas da família junto aos cortes paralelos que surgiam.
Nas primeiras parcelas ele contou com a ajuda do pai para dar continuidade ao curso. E eis que surgiu uma oportunidade de começar a trabalhar como barbeiro em um pequeno salão. Um profissional da área estava passando o ponto, um salão pequeno mas completo, com tudo que era necessário para trabalhar. Ele decidiu assumir o ponto e pagar o aluguel de R$ 500, mesmo tendo que trabalhar em uma empresa como colaborador fixo.
“Para pagar o aluguel, eu comecei a fazer horas extras na empresa em que eu trabalhava, para ter, pelo menos, o dinheiro do aluguel. A minha meta era cortar pelo menos um cabelo por dia. No início eu queria adquirir experiência, a meta não era lucrar com a barbearia, era pagar o aluguel, ter um espaço pra ir treinando. Eu estava entrando no trabalho às 4h da manhã e saindo às 17h30. Ia direto para a barbearia às 18h, lá eu ficava até às 22h. Todos os dias!”, afirma Dantas.
Ele ficou nesse ritmo frenético de trabalho extra por, aproximadamente, oito meses. Até que ele percebeu que já estava tirando quase todo o dinheiro do aluguel da barbearia, e não precisava mais fazer tantas horas extras, os cortes começaram a render.
A decisão: ficar ou deixar o emprego fixo para ser barbeiro

“Empreendedorismo… Às vezes a gente é taxado de louco”, lembra Dantas. Segundo ele, muita gente disse que era uma decisão arriscada sair de um emprego com estabilidade para tentar um negócio próprio em um mercado com forte concorrência, já que haviam muitos outros barbershops na cidade.
“Eu sentei para conversar com minha esposa para decidir se eu sairia da empresa e focaria apenas na barbearia ou manteria aquela rotina. A gente decidiu que só saberíamos como seria se tentássemos. E foi o que eu fiz. Sai da empresa e me dediquei 100% para a barbearia, entrando às 8h e saindo às 22h, havendo cliente ou não, a barbearia estava aberta”, enfatiza o barbeiro.
Para a alegria de quem sempre foi apaixonado pela profissão, aos poucos foram surgindo clientes! Depois de ter tido uma experiência positiva no pequeno salão, o pioneiro, Murilo Dantas conseguiu um outro espaço muito maior, confortável e convidativo.
O estudo contínuo foi necessário
Dantas começou a ganhar bastante dinheiro com a profissão de barbeiro profissional, mas junto com o grande volume de clientes, veio a dificuldade de saber administrar o salão, tudo que entrava, saia, investimentos fixos, despesas, custos com produtos e muito mais.
“Tive muita dificuldade por aproximadamente um ano, principalmente porque eram valores variados, notas “picadas”. Até que eu decidi fazer cursos para melhorar essa parte financeira e aí sim, consegui fazer a barbearia dar resultados satisfatórios, melhorando o investimento e organizando as despesas”, explica.
Para alcançar os objetivos siga os extintos!

Como vimos no começo do artigo, nem sempre Murilo Dantas teve apoio maciço das pessoas, há sempre os que alertam para o pior. Mas a verdade é que quem quer empreender, precisa, acima de tudo, de foco, coragem e propósito.
A dica que ele dá para quem está começando na profissão é não desanimar, buscar ser “surdo” para alguns comentários.
“A motivação tem que partir de você, porque quando você está sozinho não vai ter ninguém para te motivar. Eu costumo dizer que você deve ser como um estilingue. Quanto mais te puxarem para trás, mais longe e alto você irá, e você alcançará seus objetivos”, conclui Dantas.